Maria Ivone Vairinho e Poetas Amigos

Julho 18 2009
 

Quantos sóis eu caminhei…quantos sóis hei-de caminhar? – Sobre as linhas que tracei…sobre as linhas que hei-de traçar?
Destino incerto, aquele que me espera…que destino terei que enfrentar?
Não sei se alcanço a quimera …não sei se consigo lá chegar.
-Quantos versos eu farei? Até que o tronco que envergo…dê de si a fraquejar … e todos os sóis que caminhei…sejam janelas para eu descansar.
No meu caderno, quero deixar, versos que não cantei, versos para recordar. Passos que segui, conselhos que escutei…nem sempre os ouvi…acabei por errar...
Na minha vã filosofia, para trás, sei que deixei, sonhos e alma vazia, tempos em que tudo sorria e até os sonhos eram verdade…o tempo era abundante …a esperança acordava comigo.
Nas manhãs, havia um sol brilhante.

De todos esses sóis, sorvi o néctar e o mel guardei, viajei no tempo, como peregrino sem rumo, com a esperança em prumo, num veleiro de palavras, num veleiro de sonhos, depositei meus encantos, por tudo o que vi, por tudo que toquei e em discordâncias …chorei.
Neste veleiro de sonhos, as saudades pintei, em manuscritos bordados, pela pena talhados e as saudades enfeitei.

-Veleiro peregrino, levará a qualquer destino, alma desnuda que grita, que chora, p’los pedintes lá fora, sem nada poder fazer …
Apenas a pena devora, estas larvas que explodem, que inundam esta alma que não pára de escrever.

Cecília Rodrigues

publicado por Cecilia Rodrigues às 00:57
editado por mariaivonevairinho em 29/08/2009 às 18:57

Julho 17 2009

O velho Manuel era um homem alto e pesado; olhos pequenos, ligeiramente rasgados e brilhantes, de tom pardo e vivos como os de uma criança. Os cabelos brancos ainda se mostravam um tanto vaidosos do seu vigor, emoldurando graciosamente as aquelas faces bordadas de rugas
Suas mãos eram mapas de gelhas, salpicadas de largas sardas acastanhadas mas ainda com alguma destreza. As pernas é que já não tinham a agilidade de antigamente e os pés arrastavam ligeiramente pelo chão. No entanto, o seu porte era ainda contornado de certa virilidade.
Cansado de olhar as grandes vespas do jornal,pois a vista para pouco mais dava, levantou-se do puído sofá, outrora verde, adornado de outonais folhas castanhas, saindo em direcção ao jardim perto de sua casa.
Enquanto caminhava lentamente, nesse fim de tarde, ouvia os pássaros num cântico murmurado de saudade pelos apetecidos dias de verão.
Manuel sentou-se num banco de madeira pintado de verde, debaixo de uma grande amoreira. As folhas fustigadas por ligeira aragem, cantarolavam nostálgicas melodias de despedida, e num recato de fim de tempo caíam uma a uma, no seu amarelo envelhecer, enquanto se ofereciam dóceis , em tapetes macios, aos pés daquele homem.
Na relva verdejante, bandos de crianças corriam e gritavam, como pássaros acabados de aprender a voar, no seu entusiasmo de brincadeiras que só a elas diziam respeito.
Havia ainda cães brincando com seus donos em corridas e saltinhos, de rabito espetado, numa felicidade sem limites. Enquanto outros, de pelo frouxo e olhar triste, fugiam de cauda encolhida na certeza de não serem desejados.
Manuel tudo via e entendia. Inclinou um pouco a cabeça para trás, observando o céu acinzentado, e um leve sorriso marcou-lhe a boca de lábios finos.” Os eternos contrastes e desigualdades”.
Um vento mais forte soprou num uivo de lobo, e o tapete de folhas mexeu-se num seco rostilhar, chamando a atenção daquele homem. Este olhou-as, agora atentamente, vergando lentamente o corpo. Os seu pés mal se viam submersos naquele acolhedor tapete matizado. Numa admiração de velho que pensara já nada o perturbar, reparou serem elas também velhas mas belas. Esticou os braços e segurou algumas nas suas mãos. Chegou-as ao rosto inalando emocionado seu cheiro a terra, enquanto duas lágrimas traiçoeiras lhe rolaram pelas faces molhando as folhas quase mortas.
Em atitude de abandono, ali permaneceu num abraço de cumplicidade, esperando serenamente algo de que sempre tanto medo tivera. Afinal a outra parte escura da vida também podia ser bela e repousante.
Eis que uma nuvem de lindas folhas castanhas, amarelas e encarniçadas desceram suavemente pela árvore envolvendo totalmente o ancião, adormecendo este em doce serenidade.

Liliana Josué

DANTE ALIGHIERI (DIVINA COMÉDIA)

 Poema meu dedicado a Dante Alighieri, assim como à sua obra literária "A Divina Comédia", em jeito de brincadeira.
Escritor italiano medieval, nascido em Florença em 1265 e falecido em Ravena em 1321.
 
 
DANTE

Revolvi-me estremunhada
no meu sono, em sobressalto
e deparei, perturbada
com alguém que lá do alto
me observava inquiridor
numa altivez superior.

Minha nudez afrontou
seu olhar de miopia
indignado apontou
esta solta anatomia.
Perguntei num grito farto
que fazia no meu quarto?

Respondeu-me ser o Dante
saído duma Comédia
e como homem importante
alertou-me p'rá tragédia
da vida cá neste mundo
tão corrupto, podre, imundo!

Indicou um Leopardo
pecador incontinente;
um Leão mal encarado
de violência imprudente
e uma Loba que em malícia
se ondeava com perícia.

Apontou uma montanha
entalada em céu e água
que expurgava gente estranha
em transe de reza e mágoa.
E os anjinhos piedosos
guardavam o céu briosos.

Desvendou em gesto trémulo
o Jardim de Beatriz
vaporoso e colorido
como ele a sonhou e quis
pois tocar-lhe... isso jamais
de retro pecados carnais.

O medo colou-se a mim
como um demo pegajoso
eu, neste terror assim
fugi do ser horroroso.
P'rá minha cama saltei
e aos lençois me enrolei.

De tremores e transpirada
acordei esparvoída
em esbracejos, transtornada
toda partida e moída.

Sonhos danados, então...
temas assim é que não!
 
Liliana Josué
 
 
publicado por cantaresdoespirito às 20:55
editado por mariaivonevairinho em 02/09/2009 às 22:12

Julho 16 2009
Olá amigos especiais
 
TEMPO DECRESCENTE é o poema declamado que vos ofereço esta semana
que nos convida a meditar quão breve é esta nossa passagem terrena.
Ouça este soneto em poema da semana ou aqui neste link:
http://www.euclidescavaco.com/Recitas/Tempo_Decrescente/Index.htm
 
Regresso amanhã ao Canadá
agradeço o especial obséquio de enviarem os futuros e mails
para o meu e mail habitual do Canadá:
cavaco@sympatico.ca
Muito obrigado
Euclides Cavaco
 
Venha tomar comigo um cálice de poesia...
Entre por aqui na minha sala de visitas:
www.euclidescavaco.com
publicado por appoetas às 02:12

Julho 14 2009

 

 
Burilei palavras
que por brutas e cortantes
feriam
Lapidei-as na mente
como fossem diamantes
limei os contornos
onde impurezas negativistas
se viam
e arrumei-as, com carinho,
na folha de papel
à minha frente.
Com lápis de cor
e em cada canto da folha
pintei uma flor.
Depois…
o silêncio que inventei
fecundou o tema.
Burilei o tema,
lapidei o tema,
e aos poucos
fui descobrindo
que da ponta do meu lápis,
entre a beleza das cores,
bem no branco que da folha
me restava, nascia,
por amor,
simples, modesto
e sem dor
este pequeno poema.
 
Abgalvão (In alma vadia)
publicado por palavrasaladas às 21:54
editado por mariaivonevairinho em 21/09/2009 às 13:54

Julho 14 2009

 

 
A saudade virá quando a noite cair
a chuva tocar a canção mais ouvida
e os acordes do vento fizerem sentir
a falta de ti em meus braços, querida!
 
Beberei minhas mágoas nos braços do frio
sentirei nos abraços o amasso da dor
e a solidão zurzir chibatadas de cio
no meu corpo nu e carente de amor
 
Estendido na cama vazia de ti
mas vestida do cheiro que teima manter
olharei teu retrato que ainda sorri
e lágrimas eu sei que jamais vou conter
 
Sem o verde da esp’rança e o viço perdido
como folha caída secando no chão,
cairei por aí derrubado e vencido
pelas feridas abertas no meu coração.
 
Abgalvão (In alma vadia)
publicado por palavrasaladas às 21:50
editado por mariaivonevairinho em 29/08/2009 às 18:59

Julho 14 2009

Pergunte-se ao mais comum dos mortais

Que cor tem este céu que nos envolve

Chamar-lhe-á azul, como os demais

E se dará uns ares de quem resolve

Mas na alma tem tons menos formais

 

Perguntem-se a seguir se ele é capaz

De confessar de si qual a razão

Que o fez perder o viço de rapaz

E de fechar-se ao próprio coração

Ensurdecido ao vício contumaz

 

Pergunte-se-lhe, enfim, pela verdade

Onde foi que a deixou, que a esqueceu

Constatem como é falsa a castidade

Ao se negar o mal que cometeu

Recusando qualquer iniquidade

 

Ah, homem deste tempo, meu irmão

Quem te criou assim, n’ambiguídade?

Quem com féis e vinagres, quem então

Te temperou a doçura de maldade

E fez de ti um poço de omissão?

 

Vê que pla mão da tua humanidade

Podes mudar o mundo e seres melhor

Veste-te de altruísmo e humildade

Vê a realidade, lembra o amor

Com que Deus nos criou; em irmandade!

 

EUGÉNIO DE SÁ

 

Portugal

Julho de 2009

 

publicado por appoetas às 18:02

Julho 12 2009

No nascente cristalino abençoado
Corre pura, gota a gota água divina
Forma um leito em toda a terra idolatrado
Indispensável mineral;Em rio predomina

 
Tenaz o homem em seu desfavor insiste
P'la Natureza desprezar os cuidados
Mas cuidado! que o futuro existe !
Em desventuras serão os rios afectados

É preciso de olhos postos no Futuro
Travar em grande luta a prevenção
E em prol de um vegetar muito mais puro
Preservar a Natureza em mutirão

O homem que se diz tão inteligente
Em pleno século vinte  se contradiz
Despreza a vida, a Natureza docente
Só o poder finançeiro o deixa feliz
 
A isto, se chama ser inteligente?
Não venham eles  cá com suas lérias!
Pois o homem provoca lentamente
Sua própria sentença aqui na Terra.
 
Se esquecem que este Globo terrestre
Vai deixar de ser solo, por ele pisado
Porém seus filhos, netos permanecem
Nesse solo, sob este sofisma criado
 
Vive seus dias egoistas sempre a leste
Como se o Mundo fosse só seu e insiste
Polui tudo e tudo queima deixando agreste
Toda a Terra e  chora a Natureza triste
 
"Será que os poetas têm o dom  afinal?
De despertar sentidos,  ôcos e diluidos!
Ah! Quem dera fosse mágica e num dom divinal
A Poesia e seu Eco fossem p'lo homem sentidos "
 
Cecília Rodrigues 
Poema participativo na ciranda de Novembro 2005 do grupo Ecos da Poesia
Ciranda : Água -Preservar é preciso
 
publicado por Cecilia Rodrigues às 00:17
editado por mariaivonevairinho em 29/08/2009 às 19:00

Julho 12 2009

Não sei...
Se escrevo em que acredito.
Se quero...
Acreditar no que escrevo.
Escrevo aquilo que sinto.
Acredito...
 E escrevo com verdade .
Meu sentir ...
Aqui transporto,
Nestas linhas mal traçadas.
O que sou não importa.
Minhas palavras...
São como as pedras da calçada:
-A uns, servem de
Empecilho, a outros...
 Servem para construí-la.
 
Cecilia Rodrigues
9/02/2004

publicado por Cecilia Rodrigues às 00:15
editado por mariaivonevairinho em 29/08/2009 às 19:01

Julho 11 2009

 

A VINDIMA
Carmo Vasconcelos
 
 
Hoje maduro-branco é o meu desejo
Um vinho a par e tom dos meus cabelos
Néctar descolorido de desvelos
 Insípido sem fogos de festejo
 
Doirada vinha o deu, hoje nevada
Pelo frio das agruras temporais
Mas inda há bagos d’imos estivais
Sob esta terra austera e gelada
 
Em novo tempo os hás-de vindimar
E os bagos haverão de fermentar
Até que o novo vinho tome cor
 
Na espera se aprimora o seu sabor
E em festim haveremos de o beber
Pra jamais deixarmos de nos querer
 
***
02/Janº/2009
In E-Book "Sonetos Escolhidos II "
 
***
 http://carmovasconcelos.spaces.live.com
 
 
publicado por Carmo Vasconcelos às 17:11
editado por mariaivonevairinho em 21/09/2009 às 13:55

Julho 11 2009

 

A GRAMÁTICA DO AMOR
Carmo Vasconcelos
 
 
O Amor é substantivo abstracto
Porém tão real na sua abstracção...
Não tem gosto nem cheiro, sequer tacto
Mas dói dentro de nós até mais não
 
Dói na ânsia, na dúvida, na espera
Na ausência do prazer e em saudade
Esvai-se se o prendemos, qual quimera
E esvoaça se lhe damos liberdade
 
Ufano, nos reporta sem valor
Se o mimamos amorosos demais
E à mão nos vem comer se o ignoramos
 
Reveja-se a gramática do Amor
Pra que sejam suas leis consensuais
Concreto... Se leais o conjugamos
 
 
***
04/Junho/2007
(In E-Book "Sonetos Escolhidos II )
***
http://carmovasconcelos.spaces.live.com

 

 

 

 

 
 
publicado por Carmo Vasconcelos às 16:45
editado por mariaivonevairinho em 29/08/2009 às 19:03

Este blogue está aberto aos co-autores e Poetas Amigos de Maria Ivone Vairinho
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